quarta-feira, 1 de outubro de 2008

CINEMA DE ARTE

Cinema mexicano no Cineclube Vila das Artes

A mostra está em exibição todas as quartas feiras na no Cine Benjamin Abraão da Casa Amarela, e inclui algumas produções inéditas no Brasil.


As comemorações em torno dos 80 anos de cineclubismo no Brasil, iniciadas com a inauguração da Vila das Artes, se estendem pelo mês de outubro com a Mostra de Cinema Mexicano. A mostra teve início na quarta-feira, dia 1º de outubro, no auditório da Vila das Artes e inclui algumas produções inéditas no Brasil, somando fruição artística e pensamento crítico acerca da obra fílmica produzida no México.


Marcado pelas imprevisíveis oscilações econômicas e políticas; pela proximidade e influência dos Estados Unidos, determinando a sólida formação de técnicos e atores; e pela forte tradição cultural, o cinema mexicano já passou por diversas fases, que vão do silêncio à intensa produção. O evento organizado pelo Cineclube Vila das Artes , equipamento vinculado à Secretaria de Cultura da Prefeitura de Fortaleza, com curadoria do professor Paulo Octaviano Terra, lança luz sobre os filmes feitos a partir de obras literárias de autores hispânicos.

Abrindo a mostra o filme "Corazón Salvaje", de Tito Davison. Nas próximas semanas "El Gallo de Oro", de Roberto Gavaldón; "Doña Bárbara", de Fernando de Fuentes; "Cabeza de Vaca", de Nicolás Echevarría; e "El Lugar Sin Límites", de Arturo Ripstein.

A partir dos filmes, Terra discorrerá sobre os conflitos vividos pelo ser humano ante a selvageria passional e a ascensão social, "as constâncias da miséria como sina, a ambição e a barbárie da conquista na colonização da América, além da ostentação violenta da homofobia e o labirinto da desesperança e da solidão - temas que perpassam as obras" explica Terra.

Paulo Octaviano Terra é licenciado e pós-graduado em Letras, professor de Língua Portuguesa e Espanhola da UFC, Mestre em Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana pelo Departamento de Letras Modernas da FFLCH — Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, poeta, ensaísta e tradutor de espanhol.

As exibições, sempre seguidas de debates, acontecem às quartas-feiras, a partir das 18h30min, no auditório da Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro). Entrada gratuita.

Serviço
DIA 01
"Corazón Salvaje", de Tito Davison (1968).

DIA 08
"El Gallo de Oro", de Roberto Gavaldón (1964)

DIA 15
"Doña Bárbara", de Fernando Fuentes (1943)

DIA 22
"Cabeza de Vaca", de Nicolás Echevarría (1990)

DIA 29
"El Lugar Sin Límites", de Arturo Ripstein (1977)





3ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL...

...TRAZ FILMES DE PAULO CALDAS, FERNANDO BIRRI, FERNANDO MEIRELLES, LUIS BUÑUEL, EDUARDO ESCOREL E DO GRUPO ARGENTINO CINE OJO


*** no período de 6 de outubro a 6 de novembro 12 capitais brasileiras receberão festival com programação grátis ***

Filmes contemporâneos - como o longa-metragem inédito comercialmente “Deserto Feliz”, de Paulo Caldas, e a série “Marco Universal - Direitos humanos: A Exceção e a Regra”, com episódios assinados por Eduardo Escorel, Sandra Kogut, Tetê Moraes, João Jardim e Kiko Goifman, entre outros - e uma retrospectiva histórica que destaca obras de Luis Buñuel, Fernando Birri e Fernando Meirelles, estão na programação da 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que tem início na próxima segunda-feira, dia 6/10, em São Paulo.



Realizado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira e do Sesc São Paulo, o evento ainda promove uma homenagem ao coletivo argentino Cine Ojo, que há 22 anos produz premiados documentários de criação voltados às questões dos direitos humanos.



A Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é dedicada a obras audiovisuais que abordam questões referentes aos direitos humanos, produzidas recentemente nos países sul-americanos e celebra nesta edição os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.



O evento acontece em 12 capitais brasileiras: São Paulo (6 a 12/10, no Cinesesc e Sala Cinemateca Petrobras, Curitiba (7 a 15/10, na Cinemateca de Curitiba), Salvador (10 a 16/10, na Sala Walter da Silveira), Fortaleza (13 a 19/10, no Cine Benjamin Abrahão), Brasília (13 a 19/10, no Centro Cultural Banco do Brasil), Teresina (14 a 19/10, na Sala Torquato Neto/Clube dos Diários), Rio de Janeiro (13 a 19/10, no Centro Cultural Banco do Brasil), Recife (20 a 26/10, no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco), Porto Alegre (21 a 27/10, no Cine Santander Cultural), Belém (22/10 a 2/11, no Cine Libero Luxardo), Belo Horizonte (27/10 a 2/11, no Cine Humberto Mauro) e Goiânia (31/10 a 6/11, no Cine Goiânia Ouro).



Patrocinada pela Petrobras, a 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul conta com apoio do Ministério das Relações Exteriores e da TV Brasil – esta vai conceder prêmios aquisição aos favoritos eleitos pelo público das 12 capitais. O site oficial do evento é www.cinedireitoshumanos.org.br.



Pela primeira vez a escolha dos filmes contemporâneos também é feita por meio de convocatória, diferentemente das edições anteriores, em que exclusivamente os filmes recebiam convite da curadoria. Ao todo foram inscritos 182 trabalhos, de 11 países e de 12 estados brasileiros, que foram vistos pelo curador do evento, o cineasta e produtor cultural Francisco Cesar Filho.



O longa-metragem “Os Esquecidos”, de Luis Buñuel, terá sessão com áudio-descrição, para pessoas com deficiência visual, em todas as cidades participantes do evento.



Longa-metragem de ficção, inédito comercialmente, “Deserto Feliz”, de Paulo Caldas, acompanha uma adolescente (vivida pela estreante Naish Laila) que, após ser violentada pelo padrasto, foge para a cidade grande onde passa a trabalhar no turismo sexual. Vencedora no Festival de Gramado dos prêmios de melhor direção, fotografia, direção de arte, do júri popular e da crítica, a obra tem no elenco Zezé Motta, João Miguel e Hermila Guedes e sua estréia comercial está prevista para novembro.



“O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo, aborda com delicadeza a situação de mulheres diante da interrupção da gravidez. O longa já foi classificado pela imprensa como uma ultra-sonografia da alma feminina, no momento delicado em que elas decidem não ter o filho.



A vida de quatro mulheres que integram o movimento dos sem-teto em São Paulo, incluindo os preparativos para a realização de sete ocupações simultâneas, está em “Dia de Festa”, longa de Toni Venturi e Pablo Georgieff. "Encontramos um verdadeiro matriarcado - no movimento, quem manda são as mulheres", afirma Venturi.



A diretora Miriam Chnaiderman focaliza no média-metragem “Procura-se Janaína” uma criança negra, pobre e institucionalizada na Febem dos anos 1980 que se machucava, não falava e não se relacionava com outras crianças. Duas décadas depois, o documentário indaga o que teria acontecido com ela.



Em “Sonhos Distantes” o diretor peruano Alejandro Legaspi parte em busca dos personagens retratados há 20 anos no curta-metragem “Encontro de Homenzinhos” – dois garotos que trabalhavam em um mercado de frutas de Lima – e descobre que o país mudou, assim como a vida dessas crianças, seu trabalho e seus sonhos. O longa foi o único representante latino-americano na competição do último Festival de Amsterdã, prestigioso evento considerada a “Cannes do documentário”.



A descoberta, em 2004, de centenas de cisnes mortos no Santuário do Rio Cruces (Valdivia, Chile), devido à contaminação de uma indústria de papel, detonou um movimento da população que surpreendeu por sua força e a diversidade de rostos e manifestações. E a diretora Claudia Sepúlveda Luque relatou, no filme “Cidade de Papel” os episódios mais significativos deste conflito ambiental que levou a uma ruptura histórica nas instituições e leis ambientais chilenas. A cineasta criou um envolvente caleidoscópico dos diversos rostos e vozes cidadãs e arquetípico do conflito, seus atores e interesses em questão.



“MBYA, Terra Vermelha”, dirigido por Philip Cox e Valeria Mapelman, focaliza a pouco conhecida selva da Argentina onde duas comunidades indígenas, Kaaguy Poty (Flor do Monte) e Yvy Pyta (Terra Vermelha), enfrentam a intromissão do “mundo dos brancos”. O documentário mostra como as religiões oficiais, os meios de comunicação e o turismo tentam se impor sobre essas culturas ancestrais. No mesmo programa é exibido o média-metragem “América Minada”, no qual imagens e depoimentos impactantes colhidos pelos brasileiros Vinicius Souza e Maria Eugênia de Souza revelam que nada menos 11 países da América Latina têm problemas com minas terrestres em seus territórios (sendo a Colômbia campeã mundial em novas vítimas desses explosivos).



Em “Férias sem Volta” a diretora Marta Lucía Vélez conta a história de sete mulheres estrangeiras condenadas por tráfico de drogas, denominadas "mulas", em uma prisão de Bogotá. O filme acompanha durante quatro anos estas mulheres pelas diferentes etapas que passaram durante sua penosa estadia nos cárceres colombianos.



Questões sobre menores – foco da Retrospectiva Histórica da Mostra - estão no centro do longa “Juízo” (Maria Augusta Ramos, Brasil), que acompanha a trajetória de jovens menores de 18 anos e sua situação perante a lei. São meninas e meninos pobres entre o instante da prisão e o do julgamento por roubo, tráfico, homicídio. Como a identificação de jovens infratores é vedada por lei, no filme eles são representados por jovens não-infratores que vivem em condições sociais similares.





“Marco Universal”



O projeto de documentários “Marco Universal” reuniu os diretores Sandra Kogut, Tetê Moraes, Eduardo Escorel, João Jardim, Jeferson De, Kiko Goifman, Alexandre Stockler e Victor Lopes, convidados através de uma curadoria assinada por Carla Esmeralda. Também participa o coletivo de jovens da ONG Spectaculu (dirigida pelo designer e cenógrafo Gringo Cardia), que apresenta em “Flor na Lama” quatro episódios suas visões da periferia do Rio de Janeiro, onde convivem com a falta dos direitos humanos.



Em "Vidas no Lixo", Alexandre Stockler flagra uma história de adolescentes que vivem do lixo de São Paulo. "O Pequeno e o Grande" (de João Jardim, Fábio Gavião e Markão Oliveira) é sobre Morrinho, trabalho de jovens cariocas da Favela Pereirão, que ganhou o mundo. Em "Jonas, Só mais Um", Jeferson De narra a história do assassinato de um jovem negro, executado na porta do banco do qual era cliente, em dezembro de 2006. Já "Amapô", de Kiko Goifman, foca a violência contra travestis e permite reflexões da sociedade.



Eduardo Escorel mostra em “J” a fragilidade da rede de proteção de direitos humanos a partir da história de um líder comunitário que denunciou a ação criminosa de uma milícia. Sandra Kogut retrata em "Cavalão" a mudança na qualidade de vida em uma comunidade de Niterói após a chegada do Capitão Romeu, do Grupamento de Policiamento para Áreas Especiais.



"Escola Eldorado", de Victor Lopes, é o depoimento de um sobrevivente ao massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996. Com "Fruto da Terra", Tetê Moraes mostra o que aconteceu com Marcos Tiarajú, primeiro bebê nascido na Fazenda Annoni, e fecha sua trilogia de filmes que focam a ocupação realizada pelo MST e tem como personagem principal Rose (a mãe de Marcos), que morreu durante uma luta entre agricultores e policiais.







retrospectiva histórica



A retrospectiva histórica da 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul reúne obras realizadas nas últimas seis décadas cuja temática aborde a criança e o adolescente. Nela estão títulos clássicos como “Tire Dié” (1960), do argentino Fernando Birri, considerado um dos documentários mais influentes de todos os tempos, “Os Esquecidos”, feito pelo espanhol Luis Buñuel em 1950 no México, e “Couro de Gato” (1961), curta-metragem do brasileiro Joaquim Pedro de Andrade.



Também produções recentes integram a seção, como o longa colombiano “A Vendedora de Rosas” (1998), de Victor Gaviria, obra selecionada para o Festival de Cannes que conquistou múltipla premiação no Festival de Havana, e “Palace II” (2001), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, curta-metragem que originou o longa “Cidade de Deus”.



Destaque da retrospectiva, o colombiano “Delinqüente” (“Gamin”, 1978) focaliza crianças que vão para as ruas de Bogotá para roubar, mendigar e se prostituir.







homenagem



Capitaneado pelos cineastas Marcelo Céspedes e Carmen Guarini, o Cine Ojo inaugura a seção homenagem da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, com cinco títulos em exibição. Todos os trabalhos do grupo tratam de temáticas sociais vinculadas aos direitos humanos, “um selo que marca a produtora”, segundo Céspedes.



Produção de 1995, “Jaime de Nevares, A Última Viagem” (de Guarini e Céspedes) narra a viagem de despedida do Bispo. Conhecido por atuar em defesa dos direitos dos indígenas, dos operários, dos camponeses e dirigentes políticos, o filme trata dos 30 anos de luta por justiça e liberdade.



“Eu, Madre Alice” (2001, de Alberto Marquardt) acompanha o percurso de Alice Domon, uma religiosa francesa que foi seqüestrada pela ditadura militar por atuar socialmente em favor dos pobres. A visão da própria Alice sobre esses anos difíceis é narrada através da leitura da correspondência que manteve com sua família.



“H.I.J.O.S., A Alma em Dois” (2002, de Guarini e Céspedes), percorre a busca de identidades encarnadas por protagonistas individuais, mas inseridos na busca coletiva. Estas histórias nos permitem questionar tanto o passado recente quanto o presente da Argentina. H.I.J.O.S. são as iniciais para Hijos por la Identidad y la Justicia contra el Olvido (Filhos pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento).



Direção solo de Carmen Guarini, “O Diabo Entre as Flores” (2004) mostra o choque da chegada de um ex-repressor ao povoado de Escobar, que celebra há 40 anos a Festa Nacional da Flor e onde a cada edição uma flor diferente é inventada e exposta como símbolo da criatividade dos floricultores desta região.



O cineasta Alejandro Fernández Mouján relata no longa inédito no Brasil “Pulqui, Um Instante na Pátria da Felicidade” o caso do primeiro avião de motor a jato projetado e construído totalmente na Argentina (em 1951, durante o governo do presidente Juan Domingo Perón). O projeto da aeronave desapareceu após o golpe militar de 1955, mas cinco décadas depois, o pintor Daniel Santoro se propõe construir um objeto artístico inusitado: um avião Pulqui com metade do tamanho do modelo original, feito inteiro em alumínio – e que possa voar.



A programação do evento em cada cidade e os dados dos filmes estão disponíveis no site oficial da mostra: www.cinedireitoshumanos.com.br

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