segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

ENTREVISTA

"Precisamos de uma injeção de ânimo"
Em entrevista para Felipe Palhano, a atriz Samantha Schmütz, que está de volta aos cinemas com o filme "Tô Ryca 2", acredita na garra do brasileiro
Em cartaz nos cinemas com o filme "Tô Ryca 2", continuação da saga de Selminha Oléria - que ficou milionária do dia para noite ao receber a herança de um parente distante- , Samantha Schmütz volta a incorporar o "sonho" de todo brasileiro. Mas na continuação do primeiro filme, que levou mais de um milhão de espectadores nas salas, o sonho pode virar pesadelo. Na parte 2, ela é rica, esbanjadora, mas perde tudo quando surge uma homônima que se coloca como a herdeira legítima e os bens de Selminha são congelados. O filme conta ainda com Katiuscia Canoro, Marcelo Mello Jr e Evelyn Castro. Samantha, que faz desde 2013 a personagem "piriguete" Jessica do seriado "Vai que Cola" no canal Multishow, teve uma carreira meteórica no teatro, estreou em novelas da Globo, fez sucesso com o personagem Juninho Play do "Zorra Total" e também é cantora e compositora. Ela comenta na entrevista para o blog DIVIRTA-CE sobre as dificuldades econômicas na vida do brasileiro, os problemas que teve na pandemia e outros assuntos. 

DIVIRTA-CE - Você começou no teatro e ficou famosa na dramaturgia da Globo, fazendo novelas. Depois estourou com o Juninho Play do "Zorra Total". Desde quando você se formou na CAL (Casa de Artes Laranjeiras) sempre teve uma predileção pela comédia, ou foi uma descoberta e identificação naturais, ao longo da carreira?
SAMANTHA SCHMÜTZ - Não, eu fiquei conhecida pelo teatro. Na verdade, assim que eu me formei na CAL fiz muitos musicais, com direção de Sérgio Britto, Diogo Vilela, Wolf Maia, Daniel Herz. Participei de espetáculos sobre a vida do Cartola, da Elis Regina, Geraldo Pereira. Fui fazer uma participação no Surto, descompromissada, e acabei ficando 1 ano e meio. Eu sempre gostei da comédia, sempre puxava meus personagens para o lado do humor. Fui ser entrevistada pelo Jô Soares, e o pessoal do "Zorra" me chamou para fazer o Juninho Play. Só que eu estava fazendo uma novela, "Pé na Jaca". O Maurício Sherman (diretor do programa na época) me tirou da novela para fazer o programa.

DIVIRTA-CE - Você estreou o "Tô Rica 2", depois de levar mais de um milhão de espectadores aos cinemas no primeiro filme. Fale um pouco sobre essa continuação, e quais as expectativas de público nessa retomada do cinema após a paralisação por causa da pandemia. O cinema nacional sobrevive, apesar de tudo? O que acontece com a hilária Selminha Oléria nesse segundo filme?
SAMANTHA SCHMÜTZ - Sim, o cinema nacional sobrevive e estou muito feliz com essa estreia. Tô Ryca 2 está sendo muito bem recebido pelo público e é muito importante essa retomada do setor audiovisual. As produções diminuíram drasticamente por conta da pandemia e tivemos uma perda enorme para a cultura do nosso país. Nesse segundo filme, a Selminha perde sua fortuna e se reinventa. Ela representa o nosso espírito, do povo brasileiro, de lutar, persistir e dividir o que temos com os nossos. Precisamos de uma injeção de ânimo com tudo que está acontecendo neste momento no nosso país. Existem muitas Selminhas no Brasil e é isso que quero passar com a personagem de uma maneira alegre, cômica e muito próxima da realidade do trabalhador brasileiro.

DIVIRTA-CE - Das riquezas que o dinheiro proporciona, tem algum sonho realizado ou para conquistar? Como você vê esse "jeitinho brasileiro" de querer se dar bem em cima dos outros? Está acabando ou aumentando essa tradição de costumes? Acredita na meritocracia nesse país onde a desigualdade é cada vez maior? Aqui no Brasil, quem trabalha pode enriquecer, ou isso é pura ilusão?
SAMANTHA SCHMÜTZ - Meritocracia no Brasil é uma falácia. A igualdade de oportunidades não existe no nosso país. Essa ideia de que você pode ter tudo que tem correndo atrás é um discurso individualista e competitivo estimulado pelo capitalismo que pouco se preocupa como coletivo. É claro que temos que ir atrás, mas chegar lá depende de outros fatores e não só da força de vontade. O jeitinho brasileiro é uma consequência das burocracias que enfrentamos e tem seu lado positivo e negativo. Tem o lado da descontração, leveza e otimismo frente às dificuldades que enfrentamos, mas também tem o lado de querer se dar bem na frente de outra pessoa. Mas essa discussão é longa e envolve diversas reflexões. Sobre meus sonhos, tive muitos realizados, estou realizando alguns agora como o lançamento deste filme e a consolidação da minha carreira musical. Sou muito grata por conquistar tantas coisas.

DIVIRTA-CE - Como você enfrentou esse período de pandemia com cinemas, teatros e casas de show fechados? Houve a perda do grande ator e comediante Paulo Gustavo, seu amigo e companheiro em diversos trabalhos, e você sempre se posicionou nas redes sociais sobre a atual situação do Brasil. Existe uma "luz" no fim do túnel? Já tem candidato a presidente nas eleições de 2022?
SAMANTHA SCHMÜTZ - O que estamos vivendo é um cenário dos horrores. Estamos enfrentando uma pandemia com um governo que atrasou o processo da vacinação e não nos representa. É triste e doloroso tantas perdas e tudo que estamos passando neste momento. Está sendo muito difícil, mas acredito com todas as forças que vai passar. Precisamos acreditar e é isso que represento no meu filme: a nossa garra. Precisamos de ânimo para ver essa luz no fim. Já tenho meu candidato e espero que o brasileiro tenha muita sabedoria nessa eleição.

DIVIRTA-CE - Você lançou sua carreira musical, inclusive como compositora, e já mostrou seu enorme talento em shows e até apresentando o programa "Samantha Canta" no canal Bis. Tem novos projetos na música? E na TV, vai ter nova temporada do "Vai que Cola", ou algum outro projeto que possa adiantar?
SAMANTHA SCHMÜTZ - Nesta semana lanço mais um single - que tem referências do rap e da bossa nova. Assim como “Edifício Brasil”, quero trazer sempre letras que estimulem a refletir. Sou fã de artistas que fazem isso como Elis Regina, Racionais, Criolo, Nação Zumbi, MC Carol e é isso que quero trazer nos meus trabalhos. 

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