
“Operação Hurricane” lançamento da Geração Editorial, mostra os bastidores de mais uma operação da Polícia Federal
Quatro anos depois de ter sido preso e desmoralizado injustamente, com transmissão direta pela Rede Globo, apesar do “segredo de justiça” da operação, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim publica, pela Geração Editorial, o livro Operação Hurricane – um juiz no olho do furacão, em que desmonta o que chama de farsa montada pela Polícia Federal – farsa aceita pela Justiça e pela mídia, que o impediu de ser eleito presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e o levou à prisão e à aposentadoria antecipada.
Em relato claro, didático, detalhado e impressionante pelas revelações que desnudam os bastidores da Justiça brasileira, Carreira Alvim conta seu calvário, busca as razões de ter sido preso por crimes que não praticou, indaga por que seus direitos de magistrado não foram respeitados e denuncia ter sido vítima de uma conspiração odiosa, tramada por altas autoridades da justiça e da polícia. Estranhamente, seu processo está parado desde 2007 no Supremo Tribunal Federal – STF.


Biografia de Elton John retrata
altos e baixos do músico
Elton John tornou-se um ícone da música e é sempre lembrado pelo seu estilo espalhafatoso. Recentemente voltou a ser tema na mídia após adotar uma criança junto com seu companheiro de anos.
A vida e a carreira, sempre polêmicas e repletas

Fora seu trabalho, ocupou as páginas de jornais com abuso de drogas, alcoolismo, combate contra a Aids, homossexualidade e uma vida autodestrutiva. Grande parte de seus problemas decorriam de sua baixa autoestima e dificuldade de entender sua sexualidade.
Este ritmo levou a dez anos de decadência do qual só se recuperou quando a morte de Ryan White, aos 18 anos por conta da AIDS, o levou a reconsiderar seu estilo de vida.
A partir disso, viveu na década de 1990 um renascimento. Seu primeiro grande trabalho foi a premiada trilha sonora de "O Rei Leão". Sua amizade com a princesa Diana também ficou famosa, especialmente após a música composta em sua homenagem após a morte trágica.

Os Anos mais Selvagens da Filosofia
O homem impetuoso que era contra tudo e todos e antecipou-se à psicanálise de Freud
A Geração publica “Schopenhauer e os Anos mais Selvagens da Filosofia”, do mesmo autor das consagradas biografias de Nietzsche
Depois das biografias de Heidegger e Nietzsche, a Geração Editorial traz ao Brasil outro grande livro de Rüdiger Safranski, especialista em filosofia alemã, história e história da arte, “Schopenhauer e os Anos Mais Selvagens da Filosofia”, em tradução de William Lagos. Contemporâneo de Kant, Schelling, Hegel e Marx, Arthur Schopenhauer (1788-1860), altivo, impetuoso e arrogante, era contra tudo e contra todos. Insistiu e acabou provocando um terremoto na filosofia da consciência e antecipando-se em quase meio século à psicanálise de Freud.
“A humanidade aprendeu algumas coisas comigo que jamais esquecerá”, escreveu Schopenhauer. O biógrafo concorda com o filósofo, mas observa que o mundo se esqueceu de que foi Schopenhauer quem o ensinou. “Ele é o filósofo da dor da secularização, do desamparo metafísico, da perda de toda a confiança primordial”, afirma. E arremata: “É em Schopenhauer que surge, pela primeira vez, uma filosofia explícita do corpo e do inconsciente. Sem dúvida, o Ser determina a Consciência. Mas o Ser não é, como o quis Marx algum tempo depois dele, o ‘corpo da sociedade’, mas sim nosso corpo verdadeiro, o qual nos torna todos iguais e, apesar disso, também nos inimiza com tudo quanto vive”. Thomas Mann considerava Schopenhauer “o mais racional dos filósofos do Irracional”.

Adolescente, nutria divergências com o pai e a mãe. Ganhou uma longa viagem pela Europa com os pais, sob o compromisso de seguir a carreira paterna de comerciante. Seu pai lia Rousseau e Voltaire e assinava o Times de Londres. A mãe tornou-se autora de romances adocicados. O jovem Schopenhauer tinha momentos de êxtase no alto das montanhas, ao amanhecer, e também com a música, literatura e filosofia. Sua mãe reconhecia o talento do filho, mas não poupava adjetivos negativos em cartas a ele, como arrogante, aborrecido e insuportável. Um editor o chamou de “cão raivoso”. O autor transcreve contundentes cartas de Johanna ao filho que preferia distante.
Ela queixava-se das “briga terríveis” que tinham “por bobagens” quando ele a visitava. E respirava aliviada quando ele partia. Johanna já estava cansada do mau humor do rapaz e lamentava as “estranhas opiniões” que o filho emitia “como se fossem as profecias de um oráculo a quem ninguém pode objetar nada”. Pedia a Arthur que deixasse em casa o “ânimo discutidor”. Em uma carta, Johanna diz ao filho indomável: “Todas as tuas boas qualidades são empanadas porque te julgas ‘esperto demais’ e essa arrogância não te serve para nada neste mundo, simplesmente porque não podes controlar tua mania de querer saber tudo mais que os outros, de encontrar defeitos em toda parte, menos em ti mesmo, de querer controlar tudo e de te achares capaz de melhorar as pessoas com que te relacionas.” No entanto, foi ela quem o levou a optar pela vida intelectual.

O senhor publicou um livro sobre Schopenhauer. Por que as pessoas ainda deveriam ler sobre o filósofo hoje em dia?
Porque Schopenhauer foi um modelo de como pensar sobre a vida e um homem que ponderava bastante. Schopenhauer constrói uma imagem de homem na qual a força motriz da força de vontade tem papel principal, e a razão papel secundário. Esta escola fundamental do pensamento nunca se tornou obsoleta. Não é tema para requisitos específicos da atualidade que mudam de acordo com o período ou tendências.
Não superestime a razão. Na sua biografia de Schopenhauer, o senhor escreve que uma pessoa deveria recorrer à filosofia de Schopenhauer para ficar completamente atualizado. Ele reflete sobre a modernidade?
Sim, porque ainda temos uma tendência de superestimar a razão como a força que controla a vida e a história, apesar do fato de os crimes do século XX, alguns dos quais cometidos em nome da razão ou supostamente pelo bem da ciência, terem esclarecido diversas coisas para nós que não surpreenderiam a Schopenhauer. Schopenhauer cresceu numa época que eu descrevi como os “anos selvagens da filosofia”: um inebriante caleidoscópio de filosofia envolvendo a descoberta do ego e de um Logos que penetra pela natureza. Schopenhauer vai contra esse idealismo ambicioso de Fichte, Hegel e os Românticos – nos lembrando até hoje que não devemos superestimar a razão. Para ele, a redenção só pode ser atingida distanciado esteticamente uma pessoa do tumulto: um misticismo de negação que vem desde os ensinamentos budistas. Nesse sentido de infinidade, Schopenhauer ainda é atual.
A alma do cidadão é inviolável. De acordo com Schopenhauer, o estado deveria colocar “mordaça” nos “animais ferozes” para torná-los “inofensivos como um ruminante”. Dada a crise financeira e a catástrofe climática que estamos enfrentando atualmente, os políticos de hoje deveriam ler Schopenhauer?
Definitivamente sim! A filosofia de Schopenhauer sobre o estado opera na base da visão cética da humanidade e o fato de que nós humanos temos necessidade de disciplina social. Ao mesmo tempo, contudo, seus livros tornam as pessoas imunes à romantização do estado como um nível superior de ser ou moralidade à la Hegel. Schopenhauer quer um estado sóbrio e prosaico que não queira se apropriar das almas de seus cidadãos.
Muito completo. E qual vantagem Ensaios e aforismos (1851) tem sobre o excesso de guias para atingir a felicidade, alguns dos quais são obras da filosofia popular?
Mais uma vez, é porque eles oferecem uma claridade realista que se estende para a beleza. Como regra, os guias de estilo de vida de hoje são exagerados, e tem algo de errado a respeito deles. Schopenhauer, contudo, pensa apenas no que é possível. Isso não constitui uma promessa absoluta de felicidade, mas modestamente ajuda a passar pela vida de modo sensato. Isso faz com que sua obra seja bastante atraente.
Qual o papel de Schopenhauer na filosofia de hoje?
Schopenhauer ainda tem grande influência no cenário literário e artístico. A situação é bastante diferente entre filósofos profissionais. Isso tem a ver com o fato de que o pensamento de Schopenhauer é como uma bola no século XIX. Com Kant, uma pessoa pode continuar um trabalho de forma não definida – há muito que não está claro. A visão de Schopenhauer dos seres humanos e do mundo é claro e pensada calmamente até sua conclusão. Sua filosofia é completa, de forma agradável e atrativa.
Filosofia não é tudo. Particularmente o que fascina o senhor a respeito de Schopenhauer?
Para mim, uma razão pela qual sua filosofia é tão sedutora é que, em termos literais, é muito bem apresentada. Ler Schopenhauer é um grande prazer e uma experiência enormemente enriquecedora. No meu ponto de vista, o início do segundo volume de O mundo como vontade e representação é linguisticamente um dos melhores trabalhos já produzidos pela filosofia ocidental.Além disso, Schopenhauer não deixa nenhuma dúvida de que, para ele, filosofia não é tudo na vida. A parte que pensa sempre será um pouco diferente da parte que vive. Isso é algo que acho particularmente notável, dada a visão depressiva de Schopenhauer da realidade.

Humor, informação, erudição e lucidez, num livro estranho e sedutor.
“Obesus Insanus”, de Rogério Romano Bonato, é, mais que estranho, surpreendente. De forma inédita e criativa, traz a abordagem da obesidade epidêmica no planeta de um modo que destoa dos habituais no mercado editorial – não se trata de um livro de auto-ajuda, embora relate os esforços de um obeso por perder peso e mudar seus hábitos nocivos; não é tampouco mais um guia de como perder peso, dos que lotam as prateleiras de livrarias e oferecem uma eficácia tão promissora quanto duvidosa. Sua leitura, contudo, pode oferecer ajuda a muita gente atormentada pela questão do peso acima do desejável e pode orientar para uma virada nos hábitos no sentido de estabelecer uma vida mais saudável e menos perigosamente exposta aos inúmeros apelos e riscos com os quais a vida contemporânea tenta os gulosos.
Em 159 páginas, ilustradas por desenhos de Leonardo da Vinci (o que vem a propósito, já que Bonato faz uma especulação, baseada na história da alimentação, do que teriam sido os pratos oferecidos na “Santa Ceia” pintada pelo mestre), com prefácio e comentário de dois amigos de Donato (o médico Lyrio César Bertoli e o biólogo Sérgio Greif) e uma nota biográfica que mostra os múltiplos caminhos profissionais e estéticos da vida de Bonato, o livro é uma ótima mistura de erudição e humor.
A erudição de Bonato, no entanto, não intimida – é o cabedal de informações de um homem culto que sabe transmitir suas ideias sem adotar fórmulas pedantes e presunçosas e que sabe adequar sua cultura à mensagem que deseja veicular sem jamais rebaixar a inteligência dos leitores, colocando-se num plano de igualdade. O humor o auxilia a transmitir uma mensagem que é fundamentalmente séria e vai da boa quantidade de exemplos extraídos do cinema, da televisão, da literatura, citando atores, escritores, até relatos de uma vida pessoal de obeso em que uma das primeiras grandes descobertas feitas foi a utilidade dos suspensórios para manter as calças no lugar, por exemplo.
O livro evita dramatizar a condição do obeso de forma alarmante; antes, dá-lhe um tratamento humano, compreensivo e compassivo, e já no início seduz ao apresentar Belzebu como o demônio da Gula, numa crônica em que o autor se imagina no Inferno visitando o demônio, encarnado por ninguém menos que o cineasta e ator Orson Welles. Ao som do “Cheek to cheek”, de Fred Astaire, num cenário com pinturas de Matisse e requintes gastronômicos à mesa, o autor trava uma divertida conversa com Belzebu, e assim o leitor fica informado de uma série de curiosidades sobre a história desse pecado capital, a Gula, que é o grande inferno de todos os obesos.

Bonato foi obeso por muito tempo, mas os inúmeros alarmes dados por seu organismo, pela irracionalidade de seu estilo de vida hiperativo, pela sua ansiedade, seus exageros no trabalho e na correria do dia-a-dia, acabaram por despertá-lo da letargia autocomplacente do gordo, traduzidos num problema bem concreto na vesícula, que o levou a uma cirurgia e a uma implantação de decidida mudança de hábitos em sua vida. Mas, não permaneceu obeso, o que é a marca de sua trajetória.
Seu livro, aliás, acaba constituindo um exemplo e uma “lição de vida” sem azedume ou pretensões teóricas exageradas. A medida do volume é sua mistura sóbria de humor, elegância expositiva, cultura geral e bom senso. O título deriva das preocupações finais de Bonato, que soube universalizar o seu caso pessoal de obesidade, apontando o mal como uma doença social grave em que se implicam muitos dos problemas contemporâneos e indicam o descaso geral do Homem com a vida no planeta, que está levando todos a riscos nada pequenos de uma catástrofe em escala nunca vista. A continuar a loucura generalizada, o “homo sapiens” poderá dar lugar ao “obesus insanus”. Humor sim, leveza sim, mas o livro nunca perde de vista a lucidez e o alarme.
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