segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

POLÍTICA CULTURAL

Em evento de posse, Juca recebe apoio de ministros petistas

Ministros de peso da Esplanada compareceram à solenidade, na manhã desta segunda-feira (12), de transmissão de cargo do novo ministro da Cultura, Juca Ferreira. Ao assumir o microfone, o novo titular da pasta agradeceu "o apoio que significa o conjunto de representação do governo".Então secretário da área na cidade de São Paulo, na gestão Fernando Haddad, Juca foi alvo de duras críticas da ex-ministra da pasta e senadora Marta Suplicy (PT-SP), que apontou "desmandos" no ministério quando Juca era o titular (2008-2010)."É um excelente ministro, um excelente trabalho. [Temos] uma confiança enorme num mandato inovador, aberto, valorizando a cultura brasileira. É um excelente companheiro de governo", disse Miguel Rossetto (Secretaria-geral), um dos ministros mais próximos da presidente Dilma Rousseff.
Secretário-geral nacional do PT, o deputado Geraldo Magela (DF) minimizou os atritos internos. "O PT é uma metamorfose ambulante, nós estamos sempre mudando, sempre melhorando. Se for isso, não tem problema".Congressistas do PT argumentaram que as declarações recentes de Marta decorrem principalmente de um desejo da senadora candidatar-se à prefeitura paulista - e menos de divergências efetivas com o novo titular da pasta. "Ela nos cria um problema pela dimensão que ela tem, pela consideração que todos nós temos por ela, que foi uma boa prefeita. De fato, as declarações dela são extremamente contundentes, mas ainda tenho esperança de que através do diálogo se consiga contornar isso", disse o deputado Jorge Bittar (PT-RJ). "Isso expressa mais o desejo dela de ser candidata em SP do que propriamente do que uma contradição muito profunda com o partido, que ela nunca expressou dessa forma", concluiu.
O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) preferiu não opinar quando questionado se a postura da senadora cria um caminho para sua saída do partido. "Não gosto de fazer qualquer avaliação sobre a intenção das pessoas. Acho que o melhor agora é o diretório [do PT] se reunir", disse.
Ao todo, ao menos dez ministros marcaram presença no evento: Aloizio Mercadante (Casa Civil), Nilma Lino Gomes (Igualdade Racial), Eleonora Meneccuci (Mulheres), Aldo Rebello (Ciência e Tecnologia, Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Carlos Gabas (Previdência Social), Arthur Chioro (Saúde), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Vinícius Lage (Turismo) e Jacques Wagner (Defesa).
Juca também agradeceu as palmas de autoridades e representantes da cultura, que lotaram teatro em Brasília onde ocorre o evento. "Tenho muito carinho por esse apoio e por isso gostaria, em primeiro lugar, de agradecer a presença de você."
"Além do apoio da nossa presidenta, tenho certeza que a nova equipe econômica, ainda que desafiada a prover ajuste fiscal em nosso país, será sensível a essa necessidade", afirmou ele. Diante de cortes no orçamento da Esplanada, o novo ministro da Cultura defendeu a manutenção de recursos para a pasta, sem os quais "não conseguiremos realizar nossos anseios". Juca assumiu compromissos como o de modernizar a legislação do direito autoral, dar "transparência absoluta" às decisões do ministério por meio de um "gabinete digital" e aprimorar o sistema de financiamento da área.
"A cultura brasileira não pode ficar dependente dos departamentos de marketing das grandes corporações", afirmou, sendo longamente aplaudido. "É muito bom estar de volta. E é melhor ainda fazê-lo olhando pra frente", afirmou em seu discurso, de cerca de 3 minutos. Juca prometeu uma "diplomacia cultural" e se emocionou ao lembrar da influência da cultura africana no Brasil. "O Minc volta a ser espaço de experimentação do mundo. O Minc está de volta ao futuro", concluiu.

Nenhum comentário: